sábado, 17 de dezembro de 2011

IMAGINAÇÃO DE ADOLESCENTE NA TROCA DO ANO NOVO!



POR:CARLOS COSTA | CARLOS_BEZERRA47@HOTMAIL.COM


Adolescente, época de namoradas, cinemas, festinhas e outras coisas próprias da época, imaginava a troca do ano velho pelo ano novo como se fossem um velhinho carregando às costas, amarrada em um bengala, todas as dores e horrores do mundo em um grande pano em forma de saco e um garoto novo e faceiro chegando e ambos se cruzando nessa passagem e se olhando em silêncio.

Muitas vezes fiquei acordado até meia noite só para ver essa troca do “ano velho”  pelo “ano novo” e nunca consegui presenciá-la, por mais que tentasse, piscando o olho para não dormir. Minha imaginação de adolescente também deveria ser a mesma de todos os garotos da mesma idade, entre 13 a 14 anos. Embalando e aguçando à imaginação, sempre via nos jornais que vendia à época, pelas ruas de Manaus, charges sobre o assunto desenhadas por vários profissionais que as produziam.

Uma dessas charges, em especial, me marcou muito, desenhada em A CRÍTICA, pelo inesquecível chargista “Miranda”,  mostrando um velhinho carregando às costas um saco cheio que, em minha vasta imaginação da época, entendi serem os problemas do mundo, as guerras, as catástrofes, os problemas políticos enfim, sendo levados embora, e um outro garoto novo e todo faceiro, entrando. Nenhum falava com o outro! Daí a imaginação que passei a ter sobre o assunto. Que imaginação fértil eu tinha!

Já “taludo”, com meus 17 anos, nunca consegui ver essa troca do ano velho pelo ano novo pois para mim, tudo se dava através da magia de fogos de artifícios. Mas nunca entendia direito a razão dos fogos. Será que para para comemorar a ida do “velinho” levando as coisas ruins ou comemoravam apenas o garoto que estava chegando, cheio de planos, desejos de paz, luz, felicidade.  Até hoje não entendo ainda a razão dos fogos de artifício!

Depois vinham as práticas de “despachos”, “macumbas”, “urucubadas” e, logo, sempre no início do novo ano, recomeçavam as tragédias naturais, as mortes, as guerras, assaltos, assassinatos, sequetros, drogas e tudo mais. Ou seja, tudo o que o ano velho transportara às costas. Era minha imaginação!

E o novo ano, sofrendo as dores do mundo mais uma vez, envelhecia rápido, a barba e o cabelo cresciam e ao término de mais um trabalho insignificante, com seus 365 anos de vida, o novo se tornava velho e era novamente substituído abruptamente – em minha imaginação - pelo ano novo. E tudo recomeçava exatamente igual!

*Os textos publicados no DIÁRIO RBC são de responsabilidade de seus autores.